Foto: Agência Belém
A capital paraense registrou uma marca histórica no último sábado (3). Com os termômetros atingindo 37 °C de temperatura máxima — e mínima de 25 °C nas primeiras horas da manhã — a cidade viveu o dia de outubro mais quente do último quarto de século, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O forte calor enfrentado pelos belenenses é resultado direto da atuação do El Niño. O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera o regime de ventos e massas de ar globais. No Pará, a expectativa é de que o evento reduza significativamente os volumes de chuva — entre 20% e 50% abaixo da média histórica — e mantenha as temperaturas elevadas ao longo de todo o mês.
Plano de contingência municipal
Em resposta à intensificação dos eventos climáticos extremos, a Prefeitura de Belém articulou um plano de ação para o biênio 2026-2027. Elaborado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) em parceria com o Corpo de Bombeiros e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o Protocolo de Alerta e Enfrentamento ao Calor Extremo estabelece níveis de aviso para orientar a população.
Entre as iniciativas estruturais previstas pelo município para amenizar o impacto térmico, destacam-se:
Intensificação do plantio de mudas e árvores;
Criação de novos corredores verdes urbanos;
Ações de arborização priorizando as áreas periféricas da capital.
Altas temperaturas e estiagem no interior do estado
Os efeitos do El Niño não se restringem à Região Metropolitana de Belém. Cidades como Cametá, Tucuruí e Dom Eliseu, além do oeste paraense e do eixo da Rodovia Transamazônica (incluindo Altamira), também enfrentam períodos de calor intenso. Nos municípios de Santarém, Óbidos e Monte Alegre, as máximas previstas devem oscilar entre 37 °C e 38 °C.
Riscos e atrasos no setor agrícola
A combinação de precipitações escassas e calor excessivo acende o sinal de alerta para o agronegócio paraense. De acordo com a análise do Inmet, a elevada taxa de evaporação da atmosfera tende a comprometer a umidade do solo, criando um ambiente desfavorável para o início das lavouras de verão.
O cenário é crítico no sudeste e, sobretudo, no sul do estado, onde se concentra o plantio de soja. A falta de água no solo pode adiar o início da semeadura. Nas propriedades em que o plantio ocorreu após chuvas isoladas, a estiagem subsequente ameaça a germinação uniforme das sementes, aumentando o risco de perdas e a necessidade de replantio.





