Foto Joédson Alves / Agência Brasil
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) prepara diretrizes para que empreendimentos de energia e infraestrutura na Região Norte incorporem os riscos climáticos desde a fase de planejamento. A iniciativa visa prevenir os impactos de fenômenos extremos — como o El Niño — sobre hidrelétricas, portos e linhas de transmissão.
Para orientar esses setores, o órgão ambiental finaliza três guias técnicos de análise climática. A medida responde ao aumento na frequência e na intensidade de eventos como secas severas, tempestades, queimadas, vendavais, ondas de calor e deslizamentos de terra, que colocam em risco a integridade e a operação das estruturas.
A principal mudança metodológica proposta é o abandono da dependência exclusiva do histórico climático passado. Os novos pareceres recomendam que a avaliação dos projetos incorpore projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU para cenários de 10, 30 e 50 anos.
Impactos operacionais e próximos passos
Os guias abordam vulnerabilidades específicas de cada setor:
Hidrelétricas: Riscos de redução do volume dos reservatórios e queda na geração de energia durante estios prolongados.
Linhas de transmissão: Suscetibilidade a avarias físicas provocadas por vendavais e tempestades extremas.
Portos: Interrupções e gargalos logísticos no transporte de cargas decorrentes de alterações nos níveis dos rios e regimes de marés.
Em um primeiro momento, o conjunto de orientações terá caráter educativo e opinativo, servindo como modelo também para órgãos estaduais e municipais do meio ambiente. Contudo, a transição para um modelo vinculante já está em andamento: cerca de 15 grandes obras realizam testes em um projeto-piloto, e o Ibama estuda a redação de uma norma para tornar os estudos de risco climático obrigatórios nas licenças ambientais.





